
São Miguel aparece nas Sagradas Escrituras, em particular no Livro de Daniel, na Carta do Apóstolo São Judas Tadeu e no Apocalipse.
O seu nome deriva do hebraico Mi-ka-El, que significa “que é como Deus?”
A iconografia popular representa-o como um guerreiro de armadura empunhando uma espada ou disposto a trespassar um dragão com uma lança, que simboliza o Diabo. Na verdade, esse é o papel desempenhado por Miguel, o do lutador que combate contra os anjos rebeldes liderados por Lúcifer.
Foi ele quem liderou as hostes celestiais na guerra que levou à expulsão dos anjos rebeldes do Paraíso, e desde então continuou a erguer-se como defensor de Deus contra o Maligno e os seus enganos. O teatro desta nova batalha não é mais o céu, proibido a Satanás, mas as almas de nós próprios, homens, constantemente na mira das lisonjas do Mal, instigadas a todo momento para se rebelarem contra Deus.
O Diabo tenta convencer os homens de que Deus é um tirano, que limita a sua liberdade e a sua plena realização na criação. O Arcanjo Miguel é o enviado do céu para proteger os homens e guiá-los, ensiná-los a distinguir o bem do mal, a verdade da falsidade.
No Apocalipse, que ele mesmo revelou a João, é descrito como um ser majestoso investido da tarefa de examinar as almas destinadas ao Juízo Final.
Juiz de almas, portanto, e protetor e defensor da Igreja e do povo de Deus.
Não é coincidência que Castel S. Angelo, a fortaleza onde o Papa se refugiava em caso de perigo, seja vigiado pela sua estátua, e viajantes e peregrinos invoquem o seu nome e a sua proteção contra as armadilhas do caminho.
Alguns estudos quiseram ver no Arcanjo Miguel a influência de antigos mitos ligados à figura lendária de um deus-herói assassino de monstros, como o deus babilónico Marduk, ou de deuses pagãos empenhados em agir como mediadores entre o céu e a terra, como o deus grego Hermes.
A mesma festa dedicada ao Arcanjo, a 29 de setembro, recai neste dia como herança das celebrações do equinócio de outono, festa dedicada a Mitra, uma divindade relacionada com o Sol entre os persas e, depois, os romanos.
O seu culto, dentro da Igreja Católica, nasceu no Oriente, mas espalhou-se rapidamente por toda a Europa, especialmente após a sua aparição em Gargano, Puglia, quando o Arcanjo apareceu em San Lorenzo Maiorano, numa caverna que se tornou destino durante séculos de peregrinação de papas, soberanos, futuros Santos.
Perto da caverna surgiu então o Santuário da Basílica, ainda hoje um dos mais importantes e magníficos lugares de culto entre os dedicados ao Arcanjo Miguel.
Em 2013 o Papa consagrou o Estado da Cidade do Vaticano a São José e a São Miguel Arcanjo, mais uma vez reconhecendo o seu papel de defensor da fé e da Igreja.
O Arcanjo Miguel, o “guerreiro celeste”, é o protetor dos espadachins, dos mestres de armas. As suas capacidades como juiz de almas também o tornaram o patrono de todos os ofícios que envolvem o uso de uma balança, como comerciantes, farmacêuticos, e padeiros. É também o patrono da polícia.